Volume 1

Direita e esquerda nas urnas2002–2026

Quantas cadeiras a direita, o centro e a esquerda conquistaram em sete eleições gerais, da Presidência à Câmara, ao Senado e aos governos estaduais.

Renato Esteves · primeira edição: 1º de novembro de 2026

Volume 2: Prefeituras nas urnas: 2000–2024

Apresentação e critérios

Este livro registra, eleição por eleição, quantas cadeiras a direita, o centro e a esquerda conquistaram no Brasil entre 2002 e 2026. São sete eleições gerais: as quatro do ciclo Lula–Dilma (2002 a 2014), a de 2018 e as duas seguintes (2022 e 2026).

Cada capítulo traz o contexto da eleição em ordem cronológica, com trechos da imprensa da época, e os resultados por cargo: Presidência, Senado, Câmara dos Deputados e governadores.

Como os partidos foram classificados

Cada partido entra no campo que ocupava na época da eleição, pelo posicionamento ideológico que o próprio partido declarava. A classificação não indica se o partido apoiava ou fazia oposição ao governo: entre 2003 e 2016, vários partidos de direita integraram a base dos governos do PT, e o PSDB, contado aqui como centro, liderou a oposição.

Campo Partidos (nome da época → nome atual, quando mudou)
Direita PFL → DEM → União Brasil · PP (PPB) · PL / PR → PL · PRB → Republicanos · PTB · PSC · PSL · Novo · Prona · PRTB · PRP · PEN → Patriota · Missão · PST · PSD (até 2003)
Centro PMDB → MDB · PSDB · PSD (a partir de 2011) · PPS → Cidadania · PTN → Podemos · Solidariedade · PROS · PTdoB → Avante · PHS · PMN → Mobiliza · PTC → Agir · PSDC → DC · PAN · PRD · demais legendas sem perfil definido
Esquerda PT · PSB · PDT · PCdoB · PV · PSOL · Rede · PPL

Fusões e mudanças de nome

Uma fusão não altera os números de eleições anteriores: cada eleição registra os partidos como eles disputaram aquele pleito.

O que conta como resultado

Volume 2

As eleições municipais que caem entre um capítulo e outro estão em Prefeituras nas urnas: 2000–2024. O volume 2 compara, ciclo a ciclo, quem ganhou a cadeira presidencial e quem ganhou o resto do mapa, com o eixo Lula × Bolsonaro.

Eleição geral

2002

Lula (PT) foi eleito presidente com 61,27% dos votos válidos no segundo turno, contra 38,73% de José Serra (PSDB) (TSE). Na Câmara, a direita elegeu o maior bloco, com 200 deputados.

Lula e Marisa Letícia acenam no desfile da posse presidencial, em 1º de janeiro de 2003
Lula e Marisa Letícia no desfile da posse, em 1º de janeiro de 2003.

Contexto

Avaliação do governo de saída: em outubro de 2002, 23% avaliavam o governo FHC como ótimo ou bom, 42% como regular e 32% como ruim ou péssimo, segundo o Datafolha (Cesop/Unicamp).

Resultados

Cargo Direita Centro Esquerda
Senado (54 vagas) 19 18 17
Câmara (513) 200 162 151
Governadores (27) 5 14 8
Deputados federais eleitos em 2002, por campo · classificação do autor
Deputados federais eleitos em 2002, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2002, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2002, por campo · classificação do autor
Eleição geral

2006

Lula foi reeleito com 60,83% dos votos válidos no segundo turno, contra 39,17% de Geraldo Alckmin (PSDB) (TSE). Na Câmara, o centro elegeu o maior bloco (187 deputados), e direita e esquerda empataram com 163 cada.

Contexto

Avaliação do governo: em agosto de 2006, o governo Lula tinha 52% de ótimo ou bom, 31% de regular e 16% de ruim ou péssimo no Datafolha (CNN Brasil).

Resultados

Cargo Direita Centro Esquerda
Senado (27 vagas) 12 10 5
Câmara (513) 163 187 163
Governadores (27) 2 15 10
Deputados federais eleitos em 2006, por campo · classificação do autor
Deputados federais eleitos em 2006, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2006, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2006, por campo · classificação do autor
Eleição geral

2010

Dilma Rousseff (PT) foi eleita com 56,05% dos votos válidos no segundo turno, contra 43,95% de José Serra (PSDB) (TSE). Na Câmara, a esquerda elegeu o maior bloco (183 deputados), a maior marca do campo em toda a série.

Dilma Rousseff acena com a faixa presidencial na cerimônia de posse
Dilma Rousseff com a faixa presidencial na cerimônia de posse.

Contexto

Avaliação do governo: no fim de agosto de 2010, 79% avaliavam o governo Lula como ótimo ou bom, 17% como regular e 4% como ruim ou péssimo, recorde do Datafolha até então (Sul21).

Resultados

Cargo Direita Centro Esquerda
Senado (54 vagas) 12 23 19
Câmara (513) 176 154 183
Governadores (27) 2 14 11
Deputados federais eleitos em 2010, por campo · classificação do autor
Deputados federais eleitos em 2010, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2010, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2010, por campo · classificação do autor
Eleição geral

2014

Dilma Rousseff foi reeleita com 51,64% dos votos válidos no segundo turno, contra 48,36% de Aécio Neves (PSDB) (TSE). Na Câmara, o centro elegeu 210 deputados, o maior bloco do campo em toda a série.

Contexto

Avaliação do governo: em agosto de 2014, o governo Dilma tinha 38% de ótimo ou bom, 38% de regular e 23% de ruim ou péssimo no Datafolha (CNN Brasil).

Resultados

Cargo Direita Centro Esquerda
Senado (27 vagas) 7 11 9
Câmara (513) 157 210 146
Governadores (27) 1 15 11
Deputados federais eleitos em 2014, por campo · classificação do autor
Deputados federais eleitos em 2014, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2014, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2014, por campo · classificação do autor
Eleição geral

2018

Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito com 55,13% dos votos válidos no segundo turno, contra 44,87% de Fernando Haddad (PT) (CNN Brasil). A direita elegeu 216 deputados e 9 governadores, contra 157 e 1 em 2014.

Jair Bolsonaro, com a faixa presidencial, e Michelle Bolsonaro na posse de 1º de janeiro de 2019
Jair e Michelle Bolsonaro na posse, em 1º de janeiro de 2019.

Contexto

Avaliação do governo de saída: em junho de 2018, o governo Temer tinha 3% de ótimo ou bom e 82% de ruim ou péssimo no Datafolha, a pior marca da série (O Povo).

Resultados

Cargo Direita Centro Esquerda
Senado (54 vagas) 19 22 13
Câmara (513) 216 156 141
Governadores (27) 9 9 9
Deputados federais eleitos em 2018, por campo · classificação do autor
Deputados federais eleitos em 2018, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2018, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2018, por campo · classificação do autor
Eleição geral

2022

Lula foi eleito com 50,90% dos votos válidos no segundo turno, contra 49,10% de Jair Bolsonaro (PL), a menor diferença desde a redemocratização (CNN Brasil). Na Câmara, a direita elegeu 260 deputados, o maior bloco de um campo na série, depois igualado em 2026.

Lula discursa ao microfone
Lula em discurso.

Contexto

Avaliação do governo: em agosto de 2022, o governo Bolsonaro tinha 30% de ótimo ou bom, 26% de regular e 43% de ruim ou péssimo no Datafolha (CartaCapital; O Antagonista).

Resultados

Cargo Direita Centro Esquerda
Senado (27 vagas) 19 3 5
Câmara (513) 260 128 125
Governadores (27) 11 9 7
Deputados federais eleitos em 2022, por campo · classificação do autor
Deputados federais eleitos em 2022, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2022, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2022, por campo · classificação do autor

Depois da eleição, a recontagem das sobras eleitorais, feita após decisão do STF, mudou a distribuição de cadeiras. O saldo: PL menos 2; União, MDB e PDT menos 1 cada; Podemos mais 2; PSB, federação PT-PCdoB-PV e federação PSOL-Rede mais 1 cada (Congresso em Foco). Com a recontagem, a direita teria 257 deputados, o centro 129 e a esquerda 127. Este livro usa o resultado proclamado em 2022.

Eleição geral

2026

Lula foi reeleito com 51,78% dos votos válidos no segundo turno, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro (PL), depois de terminar o primeiro turno em segundo lugar (InvestNews). A direita repetiu os 260 deputados de 2022 e elegeu 30 dos 54 senadores e 14 dos 27 governadores.

Contexto

Avaliação do governo: em agosto de 2026, o governo Lula tinha 33% de ótimo ou bom, 25% de regular e 41% de ruim ou péssimo no Datafolha (Portal Tela). Na aprovação pessoal, outra pergunta e outro instituto, 47,3% aprovavam Lula e 48,2% desaprovavam no mesmo mês (CNT/MDA, Band).

Resultados

Cargo Direita Centro Esquerda
Senado (54 vagas) 30 13 11
Câmara (513) 260 129 124
Governadores (27) 14 9 4
Deputados federais eleitos em 2026, por campo · classificação do autor
Deputados federais eleitos em 2026, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2026, por campo · classificação do autor
Senadores eleitos em 2026, por campo · classificação do autor

O Senado a partir de 2027

Somados aos 27 senadores eleitos em 2022, que ficam até 2031, a Casa terá 48 senadores de direita, 16 de centro, 16 de esquerda e 1 sem partido. Por partido: PL 29, PT 10, MDB 8, PP 6, União 5, Republicanos 5, PSD 4, PSB 4, Novo 3, PSDB 2, Podemos 2, Rede 1, PDT 1 e Romário (RJ) sem partido (Senado Notícias). A composição ainda pode mudar com trocas de partido e decisões da Justiça Eleitoral até a posse, em 1º de fevereiro de 2027.

Composição projetada pela Agência Senado em 25 de outubro de 2026 · classificação do autor
Composição projetada pela Agência Senado em 25 de outubro de 2026 · classificação do autor

A série completa

Entre 2002 e 2026, a direita passou de 200 para 260 deputados e de 5 para 14 governadores; a esquerda teve seu pico na Câmara em 2010 (183) e chegou a 124 em 2026.

Somas por campo feitas pelo autor a partir dos resultados por partido de cada eleição · fontes no fim do livro
Somas por campo feitas pelo autor a partir dos resultados por partido de cada eleição · fontes no fim do livro
Os mesmos números da Câmara em colunas · classificação do autor
Os mesmos números da Câmara em colunas · classificação do autor
Datafolha, uma pesquisa por eleição, em geral de agosto do ano eleitoral (outubro em 2002, junho em 2018) · fontes nos capítulos
Datafolha, uma pesquisa por eleição, em geral de agosto do ano eleitoral (outubro em 2002, junho em 2018) · fontes nos capítulos

No Senado, o número de vagas alterna entre 27 e 54, o que impede uma linha contínua. Nas quatro eleições de 54 vagas, a direita elegeu 19 (2002), 12 (2010), 19 (2018) e 30 (2026); a esquerda, 17, 19, 13 e 11.

O Congresso de 2027

Com 260 deputados e 48 senadores, a direita alcança sozinha a maioria absoluta nas duas Casas. Emenda constitucional e impeachment exigem, além disso, votos do centro.

Os quóruns

Decisão Câmara (de 513) Senado (de 81)
Lei ordinária maioria dos presentes, com ao menos 257 presentes maioria dos presentes, com ao menos 41 presentes
Lei complementar 257 41
Derrubada de veto (sessão conjunta) 257 41
Criação de CPI (assinaturas) 171 27
Aprovação de ministro do STF ou do PGR — 41
Emenda constitucional (dois turnos) 308 49
Impeachment do presidente 342 para autorizar 54 para condenar
Impeachment de ministro do STF — 54 para abrir e para condenar

O quórum de 54 senadores para abrir processo contra ministro do STF foi fixado por liminar de Gilmar Mendes em dezembro de 2025; a lei previa maioria simples (Congresso em Foco).

A composição

Casa Direita Centro Esquerda Sem partido
Câmara 260 129 124 —
Senado 48 16 16 1

O que cada campo alcança

Direita, sozinha:

Direita, com parte do centro:

Esquerda, sozinha, não alcança nenhum dos quóruns acima, nem os números para barrar uma emenda (206 deputados ou 33 senadores) ou um impeachment (172 deputados ou 28 senadores).

Esquerda, com o centro:

As contas supõem que cada bloco vote unido e com presença total. Na prática, os partidos votam divididos, e partidos aqui classificados como direita, como União, PP e Republicanos, ocuparam ministérios no governo Lula.

A escolha do eleitor

Os capítulos anteriores contam cadeiras por campo. Este olha para o que o eleitor fez com os partidos e os parlamentares de cada campo. Usamos três medidas: a concentração do voto dentro da direita, a reeleição de deputados conforme o partido e o voto em plenário, e o resultado dos senadores que tentaram a reeleição em 2026.

A concentração do voto dentro da direita

Cadeiras do partido de Bolsonaro em cada eleição (PSL em 2018, PL em 2022 e 2026) somadas às do Novo, dentro das cadeiras da direita:

Eleição Câmara Senado (vagas em disputa)
2018 60 de 216 (28%) 4 de 19 (21%)
2022 102 de 260 (39%) 8 de 19 (42%)
2026 131 de 260 (50%) 22 de 30 (73%)

De 2022 para 2026, a direita manteve as mesmas 260 cadeiras na Câmara. A parte de PL e Novo subiu de 102 para 131, e a de União, PP e Republicanos caiu de 147 para 128.

A reeleição na Câmara

Cruzamos os deputados que votaram na legislatura 2023–2027 com o resultado oficial de 2026 do TSE, identificando cada um pela data de nascimento e pelo nome. A conta considera só quem concorreu de novo a deputado federal: 450 parlamentares. Quem disputou o Senado ou um governo estadual fica de fora, e quem não encontramos entre os candidatos foi contado como não candidato.

Partido pelo qual concorreu em 2026 Reeleitos
PL e Novo 67 de 80 (84%)
União, PP, Republicanos e Missão 86 de 129 (67%)
Esquerda 71 de 108 (66%)
Centro 76 de 133 (57%)

O voto em três votações. Separamos os deputados de direita pelo partido que tinham no dia da votação e pelo voto que deram:

Votação PL e Novo União, PP e Republicanos
Arcabouço fiscal, texto-base (23/5/2023) votou sim: 16 de 23 (70%) · votou não: 40 de 44 (91%) votou sim: 74 de 103 (72%) · votou não: 7 de 14 (50%)
Reforma tributária, 1º turno (6/7/2023) sim: 14 de 17 (82%) · não: 47 de 56 (84%) sim: 72 de 102 (71%) · não: 11 de 16 (69%)
Urgência do projeto da anistia (17/9/2025) sim: 58 de 69 (84%) · nenhum votou não sim: 71 de 110 (65%) · não: 10 de 12 (83%)

Nos dois grupos, a porcentagem é a de reeleitos entre os que concorreram de novo à Câmara.

Quem saiu e quem entrou no PL e no Novo. Entre os deputados que estavam nesses dois partidos em dezembro de 2025, os que continuaram neles se reelegeram em 53 de 57 casos (93%); os que trocaram de partido antes da eleição, em 3 de 8. Dos que chegaram ao PL vindos de União, PP e Republicanos, 5 de 7 se reelegeram.

Os senadores que tentaram a reeleição

Trinta e dois senadores tentaram a reeleição em 2026, e 14 conseguiram (Agência Senado; Congresso em Foco). Pelo partido de 2026:

Campo Reeleitos
Direita 3 de 6: os 3 do PL se reelegeram; os 3 de PP e Republicanos, não
Centro 7 de 16
Esquerda 4 de 10

Alguns casos (Brasil em Folhas; Correio da Manhã):

O que os números mostram e o que não mostram

Fontes deste capítulo: votos nominais da Câmara dos Deputados (votações 2357053-47, 2196833-326 e 2562149-7); resultado oficial do TSE, eleição de 4 de outubro de 2026.

Conclusão: a cadeira presidencial não é a eleição

Em sete eleições gerais, o campo que ganhou a Presidência teve o maior bloco em apenas 2 das 21 outras disputas: Câmara, Senado e governadores. Em 2022 e 2026, o campo derrotado na Presidência venceu as três.

Como medimos

A cadeira presidencial e as outras arenas, eleição por eleição

Capítulos 2002 a 2026 deste livro · Senado: vagas em disputa em cada eleição · classificação do autor
Capítulos 2002 a 2026 deste livro · Senado: vagas em disputa em cada eleição · classificação do autor

O campo do presidente eleito nunca venceu, na mesma eleição, Câmara, Senado e governadores. As duas exceções parciais são 2010, quando a esquerda teve a maior bancada da Câmara, e 2018, quando a direita teve a maior bancada e empatou nos governadores.

A capacidade de fazer o campo vencer

Arena Esquerda, com Lula à frente (2002–2026) Direita, com Bolsonaro à frente (2018–2026)
Presidência 6 de 7 1 de 3
Maior bloco na Câmara 1 de 7 (2010) 3 de 3
Maior bloco no Senado 0 de 7 2 de 3
Maior bloco de governadores 0 de 7, mais 1 empate (2018) 2 de 3, mais 1 empate
Maior bloco de prefeituras 0 de 6 0 de 2
Maior bloco nas capitais 3 de 6 (2004, 2008, 2012) 0 de 2
Fora a Presidência 4 de 33 (12%) 7 de 13 (54%)

As eleições municipais contadas são as que vieram depois de cada eleição geral: de 2004 a 2024 para a esquerda, 2020 e 2024 para a direita. Nas prefeituras, o centro teve o maior bloco em todas.

Esse placar depende de onde se colocam União, PP e Republicanos. O capítulo seguinte, "Teste: e se o centrão for centro?", mostra o resultado com os três no centro.

O mapa hoje

Capítulos 2026 e O Congresso de 2027 deste livro; prefeituras e capitais do volume 2 · classificação do autor
Capítulos 2026 e O Congresso de 2027 deste livro; prefeituras e capitais do volume 2 · classificação do autor

O mapa atual resume a tese. A esquerda venceu a Presidência, com 52% dos votos válidos. Na comparação direta com a direita, perdeu em todas as outras arenas: Senado, Câmara, governadores, prefeituras e capitais.

A conclusão

Ressalvas

Teste: e se o centrão for centro?

Este livro conta União Brasil (antes PFL e DEM), PP (antes PPB) e Republicanos (antes PRB) como direita, pelo posicionamento que esses partidos declaram. Uma leitura comum na imprensa trata os três como centrão: partidos que já apoiaram governos de esquerda e de direita. Para medir quanto as conclusões dependem dessa escolha, refizemos as contas com os três no centro. O restante da classificação não muda.

Como fizemos

O resultado

Cadeiras de direita, centro e esquerda, nesta ordem, com os três partidos no centro. Em negrito, o maior bloco.

Eleição Câmara (513) Senado (vagas em disputa) Governadores (27)
2002 67 · 295 · 151 5 · 32 · 17 1 · 18 · 8
2006 56 · 294 · 163 5 · 17 · 5 0 · 17 · 10
2010 84 · 246 · 183 5 · 30 · 19 0 · 16 · 11
2014 78 · 289 · 146 3 · 15 · 9 0 · 16 · 11
2018 120 · 252 · 141 9 · 32 · 13 6 · 12 · 9
2022 113 · 275 · 125 9 · 13 · 5 3 · 17 · 7
2026 132 · 257 · 124 22 · 21 · 11 6 · 17 · 4

As cadeiras movidas para o centro vão, na Câmara, de 79 (2014) a 147 (2022); no Senado, de 4 (2014) a 14 (2002); nos governos estaduais, de 1 (2014) a 8 (2022 e 2026).

O que não muda

O que muda

Uma variante: o PL no centro até 2018

Outra leitura conta também o PL (chamado PR de 2006 a 2019) como centro até a entrada de Bolsonaro no partido, em novembro de 2021. Com essa variante, o maior bloco de cada arena é o mesmo do teste acima.

Leitura

O teste não altera a conclusão de que vencer a Presidência não é vencer as eleições. Altera a resposta sobre quem venceu as outras arenas em 2022 e 2026, direita ou centro, e a comparação entre Lula e Bolsonaro: as duas dependem de onde se colocam União, PP e Republicanos.

Nota do autor

Esta é a única parte do livro com a opinião do autor.

Optei por três campos, direita, centro e esquerda, justamente por causa da confusão, e não pela complexidade. Se abrisse subdivisões como centro-direita e centro-esquerda, a imparcialidade me obrigaria a incluir também os extremos dos dois lados, numa fronteira sobre a qual nem os estudiosos de ciência política concordam. Preferi um critério simples: cada partido está onde ele próprio dizia estar, na época de cada eleição. Não digo que X é isto e Y é aquilo; registro o que X diz de si.

Esse critério serve a um propósito, porque o ponto de vista deste trabalho não está no Congresso, mas na escolha do eleitor. Durante muito tempo, o eleitor votou no indivíduo. Hoje, quer saber se o candidato e o partido são de direita ou de esquerda, e cobra a resposta. Quem se elege pela direita e decide pela esquerda tende a não voltar e a cair no esquecimento. No PL e no Novo, os primeiros sinais já aparecem no capítulo "A escolha do eleitor": dos 8 deputados que deixaram esses partidos antes da eleição de 2026, só 3 se reelegeram.

Os parlamentares perceberam. Já há senadores e deputados dizendo que não seguirão a orientação de seus partidos, porque sabem que o eleitor pune o movimento errado. É o poder da sociedade civil, e é por isso que veremos com mais frequência parlamentares de partidos de centro votando de acordo com o eleitor de direita.

Essa fiscalização, porém, não funciona da mesma forma nas duas Casas. Na Câmara, acompanhar o desempenho e a fidelidade de cada deputado exigiria lideranças civis atentas em cada estado, e as redes sociais embaralham tudo. Para um deputado cair, a lambança tem de ser grande. Isso ajuda a explicar por que o tamanho das bancadas se repete de uma eleição para outra: trocam-se os nomes, mas o campo não avança. No Senado, a lupa do eleitor é mais precisa e mais eficaz.

Nada disso permite prever como cada partido atuará no quarto governo Lula. O que sustento é que os valores da direita estão, em tese, guardados: no Congresso, pautas como a ampliação do aborto legal e a descriminalização das drogas não passarão. Já as indicações ao STF terão de passar por acordo. O caso Messias, cuja indicação o Senado rejeitou em abril de 2026 (ver capítulo 2026), foi um breve aviso no terceiro mandato; no quarto, será pior.

No longo prazo, independentemente dos acordos impublicáveis de presidentes de partido que negociam suas bancadas, a observação atenta do eleitor, numa fiscalização cada vez mais dura, tende a extirpar os aproveitadores, a consolidar os representantes mais fiéis ao eleitor e, em consequência, a reduzir gradualmente o centro. Caminhamos para dois blocos: esquerda e direita.

Fontes

A classificação dos partidos e as somas por campo são do autor, feitas a partir dos resultados por partido listados abaixo. Onde duas fontes divergem, vale a que fecha o total de cadeiras.