Quantas cadeiras a direita, o centro e a esquerda conquistaram em sete eleições gerais, da Presidência à Câmara, ao Senado e aos governos estaduais.
Volume 2: Prefeituras nas urnas: 2000–2024
Este livro registra, eleição por eleição, quantas cadeiras a direita, o centro e a esquerda conquistaram no Brasil entre 2002 e 2026. São sete eleições gerais: as quatro do ciclo Lula–Dilma (2002 a 2014), a de 2018 e as duas seguintes (2022 e 2026).
Cada capítulo traz o contexto da eleição em ordem cronológica, com trechos da imprensa da época, e os resultados por cargo: Presidência, Senado, Câmara dos Deputados e governadores.
Cada partido entra no campo que ocupava na época da eleição, pelo posicionamento ideológico que o próprio partido declarava. A classificação não indica se o partido apoiava ou fazia oposição ao governo: entre 2003 e 2016, vários partidos de direita integraram a base dos governos do PT, e o PSDB, contado aqui como centro, liderou a oposição.
| Campo | Partidos (nome da época → nome atual, quando mudou) |
|---|---|
| Direita | PFL → DEM → União Brasil · PP (PPB) · PL / PR → PL · PRB → Republicanos · PTB · PSC · PSL · Novo · Prona · PRTB · PRP · PEN → Patriota · Missão · PST · PSD (até 2003) |
| Centro | PMDB → MDB · PSDB · PSD (a partir de 2011) · PPS → Cidadania · PTN → Podemos · Solidariedade · PROS · PTdoB → Avante · PHS · PMN → Mobiliza · PTC → Agir · PSDC → DC · PAN · PRD · demais legendas sem perfil definido |
| Esquerda | PT · PSB · PDT · PCdoB · PV · PSOL · Rede · PPL |
Uma fusão não altera os números de eleições anteriores: cada eleição registra os partidos como eles disputaram aquele pleito.
As eleições municipais que caem entre um capítulo e outro estão em Prefeituras nas urnas: 2000–2024. O volume 2 compara, ciclo a ciclo, quem ganhou a cadeira presidencial e quem ganhou o resto do mapa, com o eixo Lula × Bolsonaro.
Lula (PT) foi eleito presidente com 61,27% dos votos válidos no segundo turno, contra 38,73% de José Serra (PSDB) (TSE). Na Câmara, a direita elegeu o maior bloco, com 200 deputados.

Avaliação do governo de saída: em outubro de 2002, 23% avaliavam o governo FHC como ótimo ou bom, 42% como regular e 32% como ruim ou péssimo, segundo o Datafolha (Cesop/Unicamp).
| Cargo | Direita | Centro | Esquerda |
|---|---|---|---|
| Senado (54 vagas) | 19 | 18 | 17 |
| Câmara (513) | 200 | 162 | 151 |
| Governadores (27) | 5 | 14 | 8 |


Lula foi reeleito com 60,83% dos votos válidos no segundo turno, contra 39,17% de Geraldo Alckmin (PSDB) (TSE). Na Câmara, o centro elegeu o maior bloco (187 deputados), e direita e esquerda empataram com 163 cada.
Avaliação do governo: em agosto de 2006, o governo Lula tinha 52% de ótimo ou bom, 31% de regular e 16% de ruim ou péssimo no Datafolha (CNN Brasil).
| Cargo | Direita | Centro | Esquerda |
|---|---|---|---|
| Senado (27 vagas) | 12 | 10 | 5 |
| Câmara (513) | 163 | 187 | 163 |
| Governadores (27) | 2 | 15 | 10 |


Dilma Rousseff (PT) foi eleita com 56,05% dos votos válidos no segundo turno, contra 43,95% de José Serra (PSDB) (TSE). Na Câmara, a esquerda elegeu o maior bloco (183 deputados), a maior marca do campo em toda a série.

Avaliação do governo: no fim de agosto de 2010, 79% avaliavam o governo Lula como ótimo ou bom, 17% como regular e 4% como ruim ou péssimo, recorde do Datafolha até então (Sul21).
| Cargo | Direita | Centro | Esquerda |
|---|---|---|---|
| Senado (54 vagas) | 12 | 23 | 19 |
| Câmara (513) | 176 | 154 | 183 |
| Governadores (27) | 2 | 14 | 11 |


Dilma Rousseff foi reeleita com 51,64% dos votos válidos no segundo turno, contra 48,36% de Aécio Neves (PSDB) (TSE). Na Câmara, o centro elegeu 210 deputados, o maior bloco do campo em toda a série.
Avaliação do governo: em agosto de 2014, o governo Dilma tinha 38% de ótimo ou bom, 38% de regular e 23% de ruim ou péssimo no Datafolha (CNN Brasil).
| Cargo | Direita | Centro | Esquerda |
|---|---|---|---|
| Senado (27 vagas) | 7 | 11 | 9 |
| Câmara (513) | 157 | 210 | 146 |
| Governadores (27) | 1 | 15 | 11 |


Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito com 55,13% dos votos válidos no segundo turno, contra 44,87% de Fernando Haddad (PT) (CNN Brasil). A direita elegeu 216 deputados e 9 governadores, contra 157 e 1 em 2014.

Avaliação do governo de saída: em junho de 2018, o governo Temer tinha 3% de ótimo ou bom e 82% de ruim ou péssimo no Datafolha, a pior marca da série (O Povo).
| Cargo | Direita | Centro | Esquerda |
|---|---|---|---|
| Senado (54 vagas) | 19 | 22 | 13 |
| Câmara (513) | 216 | 156 | 141 |
| Governadores (27) | 9 | 9 | 9 |


Lula foi eleito com 50,90% dos votos válidos no segundo turno, contra 49,10% de Jair Bolsonaro (PL), a menor diferença desde a redemocratização (CNN Brasil). Na Câmara, a direita elegeu 260 deputados, o maior bloco de um campo na série, depois igualado em 2026.

Avaliação do governo: em agosto de 2022, o governo Bolsonaro tinha 30% de ótimo ou bom, 26% de regular e 43% de ruim ou péssimo no Datafolha (CartaCapital; O Antagonista).
| Cargo | Direita | Centro | Esquerda |
|---|---|---|---|
| Senado (27 vagas) | 19 | 3 | 5 |
| Câmara (513) | 260 | 128 | 125 |
| Governadores (27) | 11 | 9 | 7 |


Depois da eleição, a recontagem das sobras eleitorais, feita após decisão do STF, mudou a distribuição de cadeiras. O saldo: PL menos 2; União, MDB e PDT menos 1 cada; Podemos mais 2; PSB, federação PT-PCdoB-PV e federação PSOL-Rede mais 1 cada (Congresso em Foco). Com a recontagem, a direita teria 257 deputados, o centro 129 e a esquerda 127. Este livro usa o resultado proclamado em 2022.
Lula foi reeleito com 51,78% dos votos válidos no segundo turno, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro (PL), depois de terminar o primeiro turno em segundo lugar (InvestNews). A direita repetiu os 260 deputados de 2022 e elegeu 30 dos 54 senadores e 14 dos 27 governadores.
Avaliação do governo: em agosto de 2026, o governo Lula tinha 33% de ótimo ou bom, 25% de regular e 41% de ruim ou péssimo no Datafolha (Portal Tela). Na aprovação pessoal, outra pergunta e outro instituto, 47,3% aprovavam Lula e 48,2% desaprovavam no mesmo mês (CNT/MDA, Band).
| Cargo | Direita | Centro | Esquerda |
|---|---|---|---|
| Senado (54 vagas) | 30 | 13 | 11 |
| Câmara (513) | 260 | 129 | 124 |
| Governadores (27) | 14 | 9 | 4 |


Somados aos 27 senadores eleitos em 2022, que ficam até 2031, a Casa terá 48 senadores de direita, 16 de centro, 16 de esquerda e 1 sem partido. Por partido: PL 29, PT 10, MDB 8, PP 6, União 5, Republicanos 5, PSD 4, PSB 4, Novo 3, PSDB 2, Podemos 2, Rede 1, PDT 1 e Romário (RJ) sem partido (Senado Notícias). A composição ainda pode mudar com trocas de partido e decisões da Justiça Eleitoral até a posse, em 1º de fevereiro de 2027.

Entre 2002 e 2026, a direita passou de 200 para 260 deputados e de 5 para 14 governadores; a esquerda teve seu pico na Câmara em 2010 (183) e chegou a 124 em 2026.



No Senado, o número de vagas alterna entre 27 e 54, o que impede uma linha contínua. Nas quatro eleições de 54 vagas, a direita elegeu 19 (2002), 12 (2010), 19 (2018) e 30 (2026); a esquerda, 17, 19, 13 e 11.
Com 260 deputados e 48 senadores, a direita alcança sozinha a maioria absoluta nas duas Casas. Emenda constitucional e impeachment exigem, além disso, votos do centro.
| Decisão | Câmara (de 513) | Senado (de 81) |
|---|---|---|
| Lei ordinária | maioria dos presentes, com ao menos 257 presentes | maioria dos presentes, com ao menos 41 presentes |
| Lei complementar | 257 | 41 |
| Derrubada de veto (sessão conjunta) | 257 | 41 |
| Criação de CPI (assinaturas) | 171 | 27 |
| Aprovação de ministro do STF ou do PGR | — | 41 |
| Emenda constitucional (dois turnos) | 308 | 49 |
| Impeachment do presidente | 342 para autorizar | 54 para condenar |
| Impeachment de ministro do STF | — | 54 para abrir e para condenar |
O quórum de 54 senadores para abrir processo contra ministro do STF foi fixado por liminar de Gilmar Mendes em dezembro de 2025; a lei previa maioria simples (Congresso em Foco).
| Casa | Direita | Centro | Esquerda | Sem partido |
|---|---|---|---|---|
| Câmara | 260 | 129 | 124 | — |
| Senado | 48 | 16 | 16 | 1 |
Direita, sozinha:
Direita, com parte do centro:
Esquerda, sozinha, não alcança nenhum dos quóruns acima, nem os números para barrar uma emenda (206 deputados ou 33 senadores) ou um impeachment (172 deputados ou 28 senadores).
Esquerda, com o centro:
As contas supõem que cada bloco vote unido e com presença total. Na prática, os partidos votam divididos, e partidos aqui classificados como direita, como União, PP e Republicanos, ocuparam ministérios no governo Lula.
Os capítulos anteriores contam cadeiras por campo. Este olha para o que o eleitor fez com os partidos e os parlamentares de cada campo. Usamos três medidas: a concentração do voto dentro da direita, a reeleição de deputados conforme o partido e o voto em plenário, e o resultado dos senadores que tentaram a reeleição em 2026.
Cadeiras do partido de Bolsonaro em cada eleição (PSL em 2018, PL em 2022 e 2026) somadas às do Novo, dentro das cadeiras da direita:
| Eleição | Câmara | Senado (vagas em disputa) |
|---|---|---|
| 2018 | 60 de 216 (28%) | 4 de 19 (21%) |
| 2022 | 102 de 260 (39%) | 8 de 19 (42%) |
| 2026 | 131 de 260 (50%) | 22 de 30 (73%) |
De 2022 para 2026, a direita manteve as mesmas 260 cadeiras na Câmara. A parte de PL e Novo subiu de 102 para 131, e a de União, PP e Republicanos caiu de 147 para 128.
Cruzamos os deputados que votaram na legislatura 2023–2027 com o resultado oficial de 2026 do TSE, identificando cada um pela data de nascimento e pelo nome. A conta considera só quem concorreu de novo a deputado federal: 450 parlamentares. Quem disputou o Senado ou um governo estadual fica de fora, e quem não encontramos entre os candidatos foi contado como não candidato.
| Partido pelo qual concorreu em 2026 | Reeleitos |
|---|---|
| PL e Novo | 67 de 80 (84%) |
| União, PP, Republicanos e Missão | 86 de 129 (67%) |
| Esquerda | 71 de 108 (66%) |
| Centro | 76 de 133 (57%) |
O voto em três votações. Separamos os deputados de direita pelo partido que tinham no dia da votação e pelo voto que deram:
| Votação | PL e Novo | União, PP e Republicanos |
|---|---|---|
| Arcabouço fiscal, texto-base (23/5/2023) | votou sim: 16 de 23 (70%) · votou não: 40 de 44 (91%) | votou sim: 74 de 103 (72%) · votou não: 7 de 14 (50%) |
| Reforma tributária, 1º turno (6/7/2023) | sim: 14 de 17 (82%) · não: 47 de 56 (84%) | sim: 72 de 102 (71%) · não: 11 de 16 (69%) |
| Urgência do projeto da anistia (17/9/2025) | sim: 58 de 69 (84%) · nenhum votou não | sim: 71 de 110 (65%) · não: 10 de 12 (83%) |
Nos dois grupos, a porcentagem é a de reeleitos entre os que concorreram de novo à Câmara.
Quem saiu e quem entrou no PL e no Novo. Entre os deputados que estavam nesses dois partidos em dezembro de 2025, os que continuaram neles se reelegeram em 53 de 57 casos (93%); os que trocaram de partido antes da eleição, em 3 de 8. Dos que chegaram ao PL vindos de União, PP e Republicanos, 5 de 7 se reelegeram.
Trinta e dois senadores tentaram a reeleição em 2026, e 14 conseguiram (Agência Senado; Congresso em Foco). Pelo partido de 2026:
| Campo | Reeleitos |
|---|---|
| Direita | 3 de 6: os 3 do PL se reelegeram; os 3 de PP e Republicanos, não |
| Centro | 7 de 16 |
| Esquerda | 4 de 10 |
Alguns casos (Brasil em Folhas; Correio da Manhã):
Fontes deste capítulo: votos nominais da Câmara dos Deputados (votações 2357053-47, 2196833-326 e 2562149-7); resultado oficial do TSE, eleição de 4 de outubro de 2026.
Em sete eleições gerais, o campo que ganhou a Presidência teve o maior bloco em apenas 2 das 21 outras disputas: Câmara, Senado e governadores. Em 2022 e 2026, o campo derrotado na Presidência venceu as três.

O campo do presidente eleito nunca venceu, na mesma eleição, Câmara, Senado e governadores. As duas exceções parciais são 2010, quando a esquerda teve a maior bancada da Câmara, e 2018, quando a direita teve a maior bancada e empatou nos governadores.
| Arena | Esquerda, com Lula à frente (2002–2026) | Direita, com Bolsonaro à frente (2018–2026) |
|---|---|---|
| Presidência | 6 de 7 | 1 de 3 |
| Maior bloco na Câmara | 1 de 7 (2010) | 3 de 3 |
| Maior bloco no Senado | 0 de 7 | 2 de 3 |
| Maior bloco de governadores | 0 de 7, mais 1 empate (2018) | 2 de 3, mais 1 empate |
| Maior bloco de prefeituras | 0 de 6 | 0 de 2 |
| Maior bloco nas capitais | 3 de 6 (2004, 2008, 2012) | 0 de 2 |
| Fora a Presidência | 4 de 33 (12%) | 7 de 13 (54%) |
As eleições municipais contadas são as que vieram depois de cada eleição geral: de 2004 a 2024 para a esquerda, 2020 e 2024 para a direita. Nas prefeituras, o centro teve o maior bloco em todas.
Esse placar depende de onde se colocam União, PP e Republicanos. O capítulo seguinte, "Teste: e se o centrão for centro?", mostra o resultado com os três no centro.

O mapa atual resume a tese. A esquerda venceu a Presidência, com 52% dos votos válidos. Na comparação direta com a direita, perdeu em todas as outras arenas: Senado, Câmara, governadores, prefeituras e capitais.
Este livro conta União Brasil (antes PFL e DEM), PP (antes PPB) e Republicanos (antes PRB) como direita, pelo posicionamento que esses partidos declaram. Uma leitura comum na imprensa trata os três como centrão: partidos que já apoiaram governos de esquerda e de direita. Para medir quanto as conclusões dependem dessa escolha, refizemos as contas com os três no centro. O restante da classificação não muda.
Cadeiras de direita, centro e esquerda, nesta ordem, com os três partidos no centro. Em negrito, o maior bloco.
| Eleição | Câmara (513) | Senado (vagas em disputa) | Governadores (27) |
|---|---|---|---|
| 2002 | 67 · 295 · 151 | 5 · 32 · 17 | 1 · 18 · 8 |
| 2006 | 56 · 294 · 163 | 5 · 17 · 5 | 0 · 17 · 10 |
| 2010 | 84 · 246 · 183 | 5 · 30 · 19 | 0 · 16 · 11 |
| 2014 | 78 · 289 · 146 | 3 · 15 · 9 | 0 · 16 · 11 |
| 2018 | 120 · 252 · 141 | 9 · 32 · 13 | 6 · 12 · 9 |
| 2022 | 113 · 275 · 125 | 9 · 13 · 5 | 3 · 17 · 7 |
| 2026 | 132 · 257 · 124 | 22 · 21 · 11 | 6 · 17 · 4 |
As cadeiras movidas para o centro vão, na Câmara, de 79 (2014) a 147 (2022); no Senado, de 4 (2014) a 14 (2002); nos governos estaduais, de 1 (2014) a 8 (2022 e 2026).
Outra leitura conta também o PL (chamado PR de 2006 a 2019) como centro até a entrada de Bolsonaro no partido, em novembro de 2021. Com essa variante, o maior bloco de cada arena é o mesmo do teste acima.
O teste não altera a conclusão de que vencer a Presidência não é vencer as eleições. Altera a resposta sobre quem venceu as outras arenas em 2022 e 2026, direita ou centro, e a comparação entre Lula e Bolsonaro: as duas dependem de onde se colocam União, PP e Republicanos.
Esta é a única parte do livro com a opinião do autor.
Optei por três campos, direita, centro e esquerda, justamente por causa da confusão, e não pela complexidade. Se abrisse subdivisões como centro-direita e centro-esquerda, a imparcialidade me obrigaria a incluir também os extremos dos dois lados, numa fronteira sobre a qual nem os estudiosos de ciência política concordam. Preferi um critério simples: cada partido está onde ele próprio dizia estar, na época de cada eleição. Não digo que X é isto e Y é aquilo; registro o que X diz de si.
Esse critério serve a um propósito, porque o ponto de vista deste trabalho não está no Congresso, mas na escolha do eleitor. Durante muito tempo, o eleitor votou no indivíduo. Hoje, quer saber se o candidato e o partido são de direita ou de esquerda, e cobra a resposta. Quem se elege pela direita e decide pela esquerda tende a não voltar e a cair no esquecimento. No PL e no Novo, os primeiros sinais já aparecem no capítulo "A escolha do eleitor": dos 8 deputados que deixaram esses partidos antes da eleição de 2026, só 3 se reelegeram.
Os parlamentares perceberam. Já há senadores e deputados dizendo que não seguirão a orientação de seus partidos, porque sabem que o eleitor pune o movimento errado. É o poder da sociedade civil, e é por isso que veremos com mais frequência parlamentares de partidos de centro votando de acordo com o eleitor de direita.
Essa fiscalização, porém, não funciona da mesma forma nas duas Casas. Na Câmara, acompanhar o desempenho e a fidelidade de cada deputado exigiria lideranças civis atentas em cada estado, e as redes sociais embaralham tudo. Para um deputado cair, a lambança tem de ser grande. Isso ajuda a explicar por que o tamanho das bancadas se repete de uma eleição para outra: trocam-se os nomes, mas o campo não avança. No Senado, a lupa do eleitor é mais precisa e mais eficaz.
Nada disso permite prever como cada partido atuará no quarto governo Lula. O que sustento é que os valores da direita estão, em tese, guardados: no Congresso, pautas como a ampliação do aborto legal e a descriminalização das drogas não passarão. Já as indicações ao STF terão de passar por acordo. O caso Messias, cuja indicação o Senado rejeitou em abril de 2026 (ver capítulo 2026), foi um breve aviso no terceiro mandato; no quarto, será pior.
No longo prazo, independentemente dos acordos impublicáveis de presidentes de partido que negociam suas bancadas, a observação atenta do eleitor, numa fiscalização cada vez mais dura, tende a extirpar os aproveitadores, a consolidar os representantes mais fiéis ao eleitor e, em consequência, a reduzir gradualmente o centro. Caminhamos para dois blocos: esquerda e direita.
A classificação dos partidos e as somas por campo são do autor, feitas a partir dos resultados por partido listados abaixo. Onde duas fontes divergem, vale a que fecha o total de cadeiras.